Aspirar ou não aspirar?

Avaliando a aspiração antes de preenchedores de ácido hialurônico: o que a nova evidência revela

A segurança na aplicação de preenchedores de ácido hialurônico (HA) permanece uma prioridade para todos que atuam em medicina estética. No estudo conduzido por Nikolis e colaboradores, com publicação em julho de 2025, foi analisada a incidência de aspiração positiva (ou seja, retorno de sangue ao puxar o êmbolo antes da injeção) em contexto clínico real, com o objetivo de avaliar a utilidade deste método como medida preventiva. OUP Academic+1

Metodologia

Trata-se de um estudo observacional, com desenho transversal multicêntrico que envolveu 14 clínicas estéticas/dermatológicas em 9 países. Dados foram coletados durante 12 semanas, contemplando todos os pacientes que foram submetidos a injeções faciais de HA no período ativo. O protocolo definia que, antes da injeção, era realizado “pull-back” do êmbolo por pelo menos cinco segundos para observar possível flash de sangue. Os resultados incluíram 5.106 aspirações em 1.007 pacientes. PubMed+1

Principais resultados

  • Foram identificados 35 casos de aspiração positiva, o que corresponde a 0,69% de todas as aspirações realizadas. OUP Academic+1

  • Houve variação considerável entre os profissionais/investigadores: a incidência relatada variou de 0% a 6,72%dependendo da clínica ou do operador. PubMed+1

  • Esses achados levantam questionamentos relevantes sobre a eficácia isolada da aspiração como método de segurança universal antes da injeção de HA.

Implicações clínicas para prática dermatológica estética

  1. Avaliação crítica da aspiração: Embora a aspiração tenha sido considerada por muitos como um “check-safety point”, o estudo mostra que a incidência de aspiração positiva é baixa (<1 %) em condições reais. Isso sugere que a aspiração não elimina o risco de injeção intra-vascular ou outras complicações — ela pode ser apenas um dos elementos de segurança.

  2. Integração de múltiplas técnicas de segurança: A técnica de aspiração deve ser vista como complementar — não substituta — de outras medidas como conhecimento anatômico profundo, escolha correta do plano de injeção, uso de volumes apropriados, uso de cânula quando indicado, monitoramento pós-procedimento e protocolos de emergência (como o uso de hialuronidase).

  3. Importância da variabilidade operadora: A variação de incidência entre centros evidencia que fatores como técnica do profissional, experiência, tipo de agulha/cânula, plano de injeção e produto utilizado influenciam o resultado da aspiração. Isso reforça a necessidade de treinamento contínuo e padronização de protocolos.

  4. Comunicação com o paciente: Na consulta, essa evidência pode ser usada para explicar ao paciente que “a aspiração é uma medida de segurança adicional, mas não exclui a possibilidade de complicações — por isso o plano de tratamento, o produto, a técnica e o acompanhamento são igualmente importantes.”

Considerações finais

O estudo de Nikolis et al. fortalece a compreensão de que a segurança em harmonização facial é multidimensional. A aspiração, embora útil, não pode ser considerada como a “única” barreira contra eventos adversos. A prática ética e segura exige um mosaico de fatores: preparação técnica, escolha de produto e plano, atenção à anatomia individual e protocolo rigoroso de emergência.
Para você, Dr. Diogo, que valoriza a união entre técnica, ensino e propósito, esse artigo reafirma a importância de transmitir aos seus alunos que segurança não é opcional — é parte intrínseca da excelência em estética médica.

Com carinho e amor,
Dr. Diogo Rabelo
Rua Pais Leme, 215 – Sala 2209 – Pinheiros, São Paulo – SP

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