Cuidados após realizar um bioestimulador de colágeno


Cuidados após realizar um bioestimulador de colágeno



Os bioestimuladores de colágeno, como Sculptra® (ácido poli-L-láctico), Radiesse® (hidroxiapatita de cálcio) e Ellansé® (policaprolactona), têm conquistado grande destaque na dermatologia estética por estimularem a produção natural de colágeno, melhorando firmeza, textura e contorno facial.

Embora sejam procedimentos minimamente invasivos, os cuidados pós-aplicação são fundamentais para garantir resultados eficazes, seguros e duradouros.





1. Evitar massagem ou manipulação excessiva (exceto quando orientado)

Após a aplicação, o local tratado deve ser preservado de pressões, atritos e massagens intensas, salvo quando o médico indicar o protocolo de massagem, como no caso do Sculptra®, que requer a regra “5-5-5”: cinco minutos de massagem, cinco vezes ao dia, durante cinco dias.

Essa prática ajuda a distribuir o produto de forma uniforme e reduz o risco de formação de nódulos subcutâneos.


Referência: Schierle CF et al. Advances in Poly-L-Lactic Acid Injections for Facial Rejuvenation. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2025;13(8):e5867. Link





2. Evitar exposição solar e calor excessivo

Nos primeiros dias, o paciente deve evitar banhos muito quentes, saunas, atividades físicas intensas e exposição solar direta.

Esses fatores aumentam a vasodilatação e podem intensificar o inchaço ou o risco de inflamação local.

O uso de fotoprotetor com FPS 50 é indispensável para proteger a pele e manter a integridade do colágeno recém-estimulado.


Referência: Sadick NS et al. The Role of Calcium Hydroxylapatite as a Regenerative Biostimulator. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2024;17:115–124. PMC11025388





3. Evitar maquiagem e produtos ativos nas primeiras 24 horas

Após a aplicação, a pele pode apresentar leve sensibilidade, vermelhidão ou pequenos hematomas.

Recomenda-se não utilizar maquiagem, ácidos, retinóides, esfoliantes ou cremes irritantes por pelo menos 24 a 48 horas, até que a barreira cutânea esteja restabelecida.

A hidratação leve e o uso de água termal ou produtos calmantes podem ser indicados.





4. Compressas frias nas primeiras horas

O uso de compressas frias (sem contato direto com o gelo) nas primeiras 12 horas ajuda a reduzir o edema e o desconforto local.

Essa medida também minimiza a chance de equimoses e favorece a cicatrização inicial.





5. Evitar exercícios físicos nas primeiras 24 a 48 horas

Atividades físicas aumentam a circulação e podem deslocar o produto ou acentuar o inchaço local.

O ideal é aguardar ao menos 48 horas antes de retomar treinos intensos, especialmente em áreas com maior movimentação muscular.





6. Acompanhar a evolução com o dermatologista

O bioestimulador não apresenta efeito imediato. O resultado é gradual e cumulativo, tornando o acompanhamento essencial.

O retorno após cerca de 30 a 60 dias permite avaliar a resposta do colágeno e ajustar a necessidade de novas sessões.

Muitos protocolos indicam duas a três sessões, dependendo do produto e do grau de flacidez.


Referência: Beer K, et al. Calcium Hydroxylapatite Filler: Mechanism of Action and Biostimulation. Dermatol Surg. 2023;49(5):415–423. PubMed 35486036





7. Evitar tratamentos estéticos adicionais no mesmo período

Procedimentos como laser, microagulhamento, peelings ou radiofrequência devem ser adiados por pelo menos 2 a 3 semanas após a aplicação do bioestimulador, para não interferir na resposta inflamatória desejada e evitar possíveis complicações.





8. Monitorar sinais de alerta

Embora raras, complicações podem ocorrer. O paciente deve procurar o dermatologista se houver:


  • Dor persistente ou intensa;
  • Nódulos endurecidos após algumas semanas;
  • Assimetria importante;
  • Sinais de inflamação (vermelhidão intensa, calor local ou secreção).



Referência: Sobral Filho D, et al. Complications of Collagen Biostimulators in Brazil: A Review of 55 Cases. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(4):1123–1132. PubMed 38693639





Conclusão

Os bioestimuladores de colágeno são aliados poderosos no rejuvenescimento facial e corporal, mas o sucesso do tratamento depende tanto da técnica médica quanto dos cuidados pós-procedimento.

Seguir as orientações corretamente potencializa os resultados, reduz riscos e garante uma regeneração cutânea segura, natural e duradoura.




Dr. Diogo Rabelo

Médico Dermatologista | Ciência, Estética e Propósito

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