E agora, Dr?

Em The Age of Diagnosis, Suzanne O’Sullivan expõe o paradoxo da medicina moderna: quanto mais ferramentas diagnósticas temos, mais pessoas acreditam estar doentes. A neurologista britânica mostra como a sociedade contemporânea desenvolveu uma obsessão por diagnósticos — e como isso pode estar nos adoecendo.

A autora não nega a importância dos avanços médicos, mas alerta para o risco de confundir descoberta com doença. Muitos exames hoje detectam anomalias que jamais trariam sintomas. Ainda assim, geram medo, medicalização e ansiedade.

O’Sullivan propõe uma medicina mais humana, em que o ouvir e o observar voltem a ser tão valiosos quanto o diagnosticar.


Lições Centrais

  1. Diagnóstico não é destino.
    Receber um nome para algo nem sempre significa que o problema é real, relevante ou precisa de intervenção.

  2. O excesso de informação pode gerar sofrimento.
    A cultura do rastreamento cria pacientes ansiosos e dependentes, mais do que pessoas saudáveis.

  3. A medicina deve desacelerar.
    Escutar, contextualizar e compreender o indivíduo são atos terapêuticos que a tecnologia não substitui.

  4. Cuidar é um ato de sabedoria.
    Saber quando não intervir é tão importante quanto saber tratar.


Aplicação na Medicina Estética

Na dermatologia estética, essas reflexões são preciosas. Muitos pacientes procuram tratamentos não porque sofrem de algo real, mas porque acreditam estar “errados”.
O papel do médico ético é diferenciar o desejo legítimo de bem-estar da ansiedade estética criada pelo medo de não corresponder.
Assim como na clínica médica, o excesso de diagnóstico na estética pode gerar intervenção desnecessária e perda da naturalidade — o oposto da saúde e da beleza.

O’Sullivan nos convida a recuperar a dimensão humana da medicina — onde o diagnóstico é apenas uma ferramenta, e não o centro do cuidado.

Na estética, isso se traduz em ética, sensibilidade e propósito: compreender que beleza e saúde são estados de harmonia, não de correção infinita.

Com carinho e amor,
Dr. Diogo Rabelo

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