O que aprendi com Sócrates?

Ler Open Socrates foi como colocar um espelho diante da minha própria mente.
Agnes Callard descreve a vida filosófica não como algo distante, reservado aos grandes pensadores, mas como um modo de viver: estar desperto, curioso e disposto a rever a si mesmo. Ela mostra que pensar, no sentido mais profundo, é um ato de humildade — e que todo verdadeiro crescimento começa quando reconhecemos que não sabemos tudo.

Ao longo da leitura, percebi que, muitas vezes, buscamos certezas como quem procura abrigo. Certezas dão conforto, segurança, mas também podem aprisionar. Callard chama isso de “as perguntas inoportunas” — aquelas que aparecem quando a vida já parece definida: por que escolhi este caminho? O que, de fato, me move? Ainda acredito nas mesmas coisas que acreditava há anos?
Essas perguntas, embora desconfortáveis, são as que mantêm a alma viva.


O diálogo como cura

Em minha prática médica, vejo o diálogo como a essência do cuidado. Cada paciente que chega traz mais do que uma queixa estética — traz uma história, um silêncio, um desejo de ser visto.
A filosofia socrática me ensinou que o verdadeiro diálogo não é uma troca de respostas, mas uma busca compartilhada por sentido.
Eu pergunto não apenas “o que você quer mudar?”, mas “o que você quer sentir?”, “o que busca encontrar em si?”.
A escuta atenta, o olhar que não julga, a palavra que acolhe — tudo isso é, em si, terapêutico.


Questionar a mim mesmo

“Open Socrates” me lembrou que pensar é um ato moral.
Se quero ser um médico melhor, um professor mais inspirador e um homem mais íntegro, preciso me permitir mudar.
Questionar meus próprios métodos, revisar minhas crenças, aceitar que a perfeição não é um estado — é um caminho.
A medicina estética pode ser, muitas vezes, um espelho do mundo: fala de beleza, mas também revela inseguranças, vaidades, ilusões.
O desafio é exercer minha profissão como quem pratica filosofia — unindo técnica e consciência, precisão e propósito.


Cinco práticas que levei para minha vida

  1. Praticar a ignorância consciente
    Reconhecer o que não sei é libertador. Isso me permite aprender com cada paciente, aluno e experiência — sem orgulho, mas com curiosidade.

  2. Escutar mais do que falar
    O diálogo verdadeiro nasce do silêncio atento. Aprendi que o paciente não quer apenas ser tratado, mas compreendido.

  3. Refletir antes de responder
    No consultório e na vida, as respostas apressadas geralmente são defesas. As boas respostas nascem da pausa.

  4. Permitir-me mudar
    Aceitar que aquilo que me definiu ontem pode não me definir hoje. Que mudar de ideia é um sinal de vida, não de contradição.

  5. Cuidar do corpo e da mente como unidade
    A beleza exterior é reflexo da serenidade interior. Cada tratamento é também uma oportunidade de restaurar autoestima, fé e presença.


Conclusão

Ao terminar Open Socrates, compreendi que viver filosoficamente é viver com o coração aberto — aberto às perguntas, ao outro, a Deus.
O saber não está em ter todas as respostas, mas em ter coragem de continuar perguntando.
E talvez essa seja a beleza mais profunda: a de uma mente que, ao mudar, aproxima-se da verdade; e de um coração que, ao escutar, aprende a curar.

Com carinho e amor,
Dr. Diogo Rabelo

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