Mudar de ideia também é um ato de sabedoria
Reflexão inspirada no livro “Changing My Mind”, de Julian Barnes
Em um tempo em que todos parecem ter opiniões firmes e certezas absolutas, o escritor britânico Julian Barnes nos convida a um exercício raro e precioso: a arte de mudar de ideia.
Em seu livro Changing My Mind, ele percorre memórias, emoções e reflexões filosóficas para mostrar que mudar não é sinal de fraqueza — é sinal de vida, humildade e evolução.
Barnes parte da constatação de que a mente humana é uma viajante inquieta. Ela não se acomoda; se move, revisita crenças, reinterpreta experiências. A memória, diz ele, não é uma fotografia do passado, mas uma pintura em constante retoque.
Assim, mudar de opinião é simplesmente aceitar que estamos vivos — e que viver é transformar-se.
O valor da transformação
Em minha leitura, o que torna Changing My Mind tão necessário é a maneira como ele devolve dignidade ao ato de rever-se.
Num mundo que exalta quem “sabe tudo”, Barnes elogia quem se permite duvidar, quem aceita aprender, quem tem coragem de admitir que o que antes fazia sentido, hoje já não faz mais.
Essa reflexão ultrapassa a literatura e alcança a medicina, a fé, a estética, as relações humanas.
Na medicina estética, por exemplo, mudar de ideia pode significar entender que menos é mais, que o natural é mais belo que o exagero, que cuidar da autoestima não é moldar o rosto, mas revelar a essência.
Na vida, pode significar abrir espaço para o perdão, para a fé, para o recomeço.
O corpo muda, a mente também
Enquanto o corpo se transforma com o tempo — e cada linha, cada traço conta uma história —, nossa mente também amadurece.
Barnes mostra que aceitar a passagem do tempo é um ato de sabedoria, não de resignação.
O desafio não é evitar as mudanças, mas acolhê-las com serenidade, aprendendo com elas.
Mudar de ideia é permitir-se crescer. É olhar para dentro e perceber que a beleza, antes de tudo, é movimento.
Reflexão final
Ler Changing My Mind é um lembrete delicado de que a maturidade não está em defender certezas, mas em saber quando é hora de deixá-las ir.
A mente, como o corpo e o coração, precisa respirar.
E às vezes, mudar é o modo mais profundo de permanecer fiel a si mesmo.
Com carinho e amor,
Dr. Diogo Rabelo
