A força do equilíbrio: como tratar apenas a glabela pode suavizar toda a testa
Em 2025, um grupo de pesquisadores liderado por Sebastian Cotofana apresentou um estudo fascinante que reforça um princípio cada vez mais claro na medicina estética: nem sempre é preciso tratar toda a área para obter resultados globais.
O artigo, intitulado “Continuous Improvement of Frontal Rhytids Following Glabella Only Treatments With Neuromodulators — A Clinical Prospective Pilot Study”, avaliou 18 pacientes submetidos exclusivamente à aplicação de neuromodulador na região da glabela (entre as sobrancelhas), sem nenhuma injeção direta no músculo frontal.
O resultado surpreendeu: após três ciclos de tratamento, observou-se uma melhora significativa também nas rugas da testa, mesmo sem intervenção direta nessa área.
Como isso é possível?
A explicação está na dinâmica muscular do terço superior da face.
Os músculos glabelares — como o corrugador e o prócero — exercem uma ação contrária à do músculo frontal. Quando relaxamos os músculos depressores da glabela, o frontal passa a trabalhar de forma mais equilibrada, com menor tensão e contração compensatória.
Com o tempo, essa harmonização muscular reduz a formação de linhas horizontais, proporcionando uma testa mais lisa e natural, sem risco de ptose ou arqueamento excessivo das sobrancelhas.
O que o estudo nos ensina
-
Menos pode ser mais. Intervenções pontuais e inteligentes podem gerar efeitos globais quando se compreende a biomecânica da expressão.
-
Planejamento anatômico é tudo. O domínio dos vetores de força muscular permite resultados harmônicos, preservando a naturalidade da expressão.
-
A reeducação muscular é progressiva. O estudo mostrou melhora contínua ao longo de três ciclos — reforçando que a constância do tratamento potencializa o resultado.
-
Segurança e naturalidade caminham juntas. Evitar aplicações diretas no frontal reduz complicações e mantém o olhar expressivo.
Reflexão para os médicos em formação
Mais do que aplicar toxina, o verdadeiro desafio é entender o diálogo entre os músculos.
A beleza do resultado não está na imobilização, mas na harmonia do movimento.
Esse estudo é um convite à observação, ao raciocínio clínico e ao respeito pela anatomia funcional da face.
A medicina estética do futuro é aquela que combina precisão científica, propósito humano e leveza nos resultados.
Com carinho e amor,
Dr. Diogo Rabelo
Rua Pais Leme, 215 – Sala 2209 – Pinheiros, São Paulo – SP
