Toxina botulínica para enxaqueca
A enxaqueca crônica é definida como quadro em que o indivíduo apresenta 15 ou mais dias de cefaleia por mês, sendo ao menos 8 desses dias com características de enxaqueca.
Para pacientes com esse perfil, as opções terapêuticas incluem medicamentos orais preventivos, terapias direcionadas a peptídeos associados à dor (como o CGRP) e procedimentos injetáveis, como a toxina botulínica tipo A.
Como funciona
A toxina botulínica age bloqueando a liberação de acetilcolina nas terminações nervosas, o que reduz a atividade muscular e a transmissão de sinais nociceptivos. Em enxaqueca crônica, acredita-se que esse bloqueio contribua para a diminuição da sensibilização das vias da dor, da liberação de mediadores inflamatórios das fibras sensitivas e da modulação dos sinais de dor craniana.
Evidência clínica
Estudos de grande porte, como o programa PREEMPT, demonstraram que a aplicação de onabotulinumtoxinA em esquemas específicos reduz o número de dias de dor de cabeça por mês em pacientes com enxaqueca crônica.
Uma meta-análise revelou que, comparada ao placebo, o tratamento com toxina botulínica resultou em redução de cerca de 2 dias por mês de enxaqueca.
Também foram observados ganhos em qualidade de vida, menor uso de medicações de resgate e menor demanda por emergências em alguns casos.
Protocolo e indicação
O protocolo aprovado para enxaqueca crônica envolve injeções em múltiplos pontos da cabeça e pescoço, tipicamente a cada 12 semanas.
A indicação principal: pacientes adultos com enxaqueca crônica que não responderam adequadamente a pelo menos três terapias preventivas anteriores e idealmente com controle do uso excessivo de medicamentos para dor.
Limitações e pontos de atenção
- A redução média de dias de dor não é dramática em todos os casos — como citado, cerca de 2 dias por mês em média.
- A eficácia varia individualmente: alguns pacientes respondem bem, outros menos.
- Os custos, a necessidade de repetição a cada ~12 semanas e a escolha adequada dos pontos de injeção exigem experiência clínica.
- A técnica precisa ser seguida rigorosamente para evitar complicações.
- Deve haver acompanhamento e revisão contínua do paciente para avaliar resposta, ajuste de protocolos ou combinação com outras terapias.
Por que incluir no portfólio clínico
Para o médico dermatologista ou neurologista que lida com pacientes que além da componente estética também encaram quadro de enxaqueca crônica, a toxina botulínica pode representar um tratamento preventivo adicional. Além de seu uso tradicional em estética, oferece uma via de modulação neurológica e analgésica, integrando cuidados com qualidade de vida, dor e bem-estar.
